Manjericão

Ocimum basilicum Linneo, Ocimum minimum Linneo, Família das labieas

Manjericão

    História Natural.  As duas espécies, o grande e o pequeno Manjericão, são plantas da Índia transportadas e vulgarizadas nos jardins do Brasil. “O Manjericão, diz Gabriel Soares, cap.36, se dá muito bem de sementes, mas não as usam na terra porque com um só pé se enche todo um jardim, dispondo raminhos sem raízes e, por menores que sejam, todos se fixam sem secar nenhum como se tivessem raízes, as quais se fazem mais altas e fortes que em Portugal e duram todo o ano, não os deixando espigar, e espiga com muita semente se lhe querem apanhar o que não se usa”. Os maiores Manjericões são os de maior caule felpudo, folhas pecioladas, ovais, lanceoladas, ciliadas e denteadas; as flores são brancas, purpurinas ou em penachos, dispostas em verticilos pouco guarnecidos, com brácteas verdes ou púrpuras; os cálices são ciliados e barbudos. O menor tem as folhas agudas ou obtusas um pouco espessas, verdes ou vermelhas; as flores são pequenas e brancas.

    Análise Química. O Manjericão dá um óleo essencial suave que tem a propriedade de cristalizar-se. A variedade chamada Ocimum americanum dá uma cera resinosa, extrato, malato de cal, goma, albumina, fécula verde, óleo volátil, tanino e pouca porção de nitrato de potassa.

    Propriedades. A infusão das folhas de Manjericão acalma as dores cefálicas, tomada internamente. Os pós são bons detersivos para curar as úlceras crônicas e figuram na lista dos errhinos. Nas Índias, Anislie diz que o suco introduzido dentro do ouvido basta para curar inflamações agudas, chamadas otites. No mesmo país, as sementes se reputam frescas e calmantes. Dá-se o chá de sementes para o curativo da gonorreia e das afecções nefríticas. No Brasil, o emprego do Manjericão é vulgarizado nas roças e cidades. “O Manjericão, diz o livro manuscrito das Ervas do Brasil, borrifado com água rosada e posto nas fontes faz dormir; cozido em água e bebido é bom para limpar a fleuma viscosa do peito e tirar a tosse, facilita o folgo, purga as mulheres, faz urinar, limpa e conforta a madre. A sua semente posta em água rosada torna-se grossa e serve para curar as chagas da boca e dos beiços; postas as folhas verdes nas frontes, sossega as dores de cabeça. O sumo faz estancar o sangue; pisada e posta no peito, faz soltar o leite. O seu cheiro é proveitoso em tempo de peste. A semente queimada e posta em cima das verrugas as destrói completamente”. Somos escusados de estender a lista de tantas virtudes. O autor atribui ao sumo das sementes tomado em clisteres o poder de favorecer o parto e de fazer logo lançar fora a criança.

 

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