Açafrão da Índia

Amomum curcuma Jacquin, Curcuma longa Linneo, Monandraia monogynia, Família das drimynhizeas

Açafrão da Índia

     História Natural. Planta da Índia, transportada para o Cabo da Boa Esperança e para o Brasil. O pseudo-açafrão, cujo uso era comum em todas as províncias do Império, fornece raízes ou rizomas aromáticos e sementes oleosas. O nome vulgar que se lhe dá no Rio de Janeiro é Açafroa, porém esse apelido se refere ao Carthamus tinctorius. A raiz é tuberosa, nodosa, da grossura de um dedo, com fibras grossas que nascem de ambos os lados de cada nó, pálida por fora e de cor amarela avermelhada por dentro. As flores são pecioladas e lanceoladas com um pé de comprimento, embainhadas inferiormente pelos pecíolos e carregadas de nervuras laterais, numerosas. As flores nascem no meio das folhas em uma espiga grossa, obtusa, séssil, de cor branca amarelada, entelhada, de espécie de cálice bifloro e côncavo. A corola é monopétala, tubulosa, irregular, de limbo largo, repartida em quatro divisões, cujo interior é trilobado. Existe um estame único composto de uma antera oblonga. No fundo do tubo da corola, dois pequenos corpos paralelos se encontram; o estilete é fitiforme, do mesmo comprimento que a corola.
    Análise Química. A análise feita pelos Srs. Vogel e Pelletier manifesta a presença de uma matéria colorante que se chama “curcumina”; dá goma, fécula, óleo volátil acre, hidrocloreto de cal e lenhoso. A análise do inglês John fornece óleo volátil 1, resina amarela 10 a 11; extrato amarelo 12 a 14; goma cinzenta 14; lenho misturado com uma substância insolúvel dentro do álcool e solúvel na potassa 57, água perda de 5 a 7. A curcumina contém carbono 69,501; hidrogênio 7,460; oxigênio 23,039/ 100,000%.
    Propriedades. A raiz é aperiente, diurética, tônica, estimulante e antiescorbútica. Trata-se de um estimulante ativo das vias digestivas e do sistema sanguíneo. Bontius assevera que é um excelente remédio para curar as lesões mesentincas. Cullen a receitava nos casos de icterícia por ter cor amarela e desafiar as urinas. O cozimento do açafrão resulta uma substância amarga, muito viscosa, pois contém porção de goma e fécula. A dose de raiz é uma até duas oitavas por libra de água. Emprega-se, de ordinário, a tintura para provocar a menstruação; a cor amarela da raiz torna-se solúvel na banha e serve para ungir os unguentos, as pomadas, os óleos farmacêuticos, os licores alcoólicos. A arte de tinturaria aproveita-se da bela cor laranja da Cúrcuma longa, sobretudo para avivar a cor escarlate. O papel de cúrcuma preparado pelo químico Trommsdorff é um excelente reativo. Na Bahia, sob o nome de açafroa, há um arbusto pequeno que produz na raiz umas pequenas batatas, das quais se extrai tinta amarela, que tinge bem e cujo uso serve para dourar coisas. Também há uma outra espécie quase semelhante que produz umas pequenas sementes moídas, de que se extrai igualmente tintura amarela. Steudel já havia notado que a mesma planta dava na Índia Oriental duas variedades: uma oriunda de Java e outra de Bengale.

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