
A última passagem do cometa Halley pela Terra atraiu um grande número de pessoas ao Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). O evento, organizado em 1986, foi uma das primeiras grandes atividades de divulgação científica realizadas pelo MAST, abrigando visitantes madrugadas afora, durante vários dias, para a observação do objeto com os equipamentos do Museu (o portal InforMAST de março traz consigo uma entrevista em vídeo com Sibele Cazelli, onde essa história é melhor contada).
Na verdade, estima-se que a passagem do cometa em 1986 foi a menos visível em mais de dois mil anos. Durante o período em que o Halley ficou mais brilhante, em seu periélio (momento de maior aproximação com o Sol), a Terra se encontrava do lado oposto de nossa estrela e, portanto, sua visibilidade foi prejudicada. Além disso, a poluição luminosa e atmosférica nas grandes metrópoles também dificultou a observação do objeto. Nos registros de passagens anteriores – e há registros desde 240 a.C. – o cometa já foi descrito como um objeto mais brilhante que qualquer estrela ou planeta visível no céu.
Halley ganhou esse nome por ter sido o primeiro cometa reconhecido como periódico por Edmond Halley, no século XVIII, o que significa que ele visita a parte interior do Sistema Solar em intervalos regulares e relativamente pequenos de tempo. O cometa desenvolve uma órbita elíptica ao redor do sol que dura entre 75 e 76 anos. No periélio, chega a apenas 0,6 UA (Unidade Astronômica, equivalente à distância da Terra ao Sol) de nossa estrela, passando entre Vênus e Mercúrio. Em seu afélio (momento de maior distância em relação ao Sol) ele vai quase tão longe quanto Plutão, se afastando 36 UA.
Composto por moléculas congeladas de água, monóxido de carbono, dióxido de carbono e outros elementos em menor quantidade, o Halley tem um núcleo relativamente pequeno – cerca de 15 km de comprimento, 8 km de largura e 8 km de altura. Mas, como todo cometa, ao passar perto do Sol, ele desenvolve uma espécie de atmosfera denominada coma, que pode chegar a 100 mil quilômetros de diâmetro, e uma cauda, que se estende por mais de 100 milhões de quilômetros. Ambas são ionizadas pela radiação solar e emitem luz durante a aproximação.
Tais fenômenos acontecem devido à sublimação do material congelado no núcleo ao entrar em contato com a radiação solar. Parte do material ejetado forma a coma e, devido aos ventos solares, uma outra parte forma a cauda – apontando sempre para o lado contrário ao Sol. A presença temporária da cauda e da coma é a principal característica que diferencia os cometas dos asteróides.
O rastro de poeira deixado pelo Halley provoca, anualmente, as chuvas de meteoros orionídeos, sempre entre 9 e 13 de agosto, quando o planeta atravessa sua órbita.
A próxima visita do cometa Halley à Terra está prevista para 2061 e deverá apresentar melhores condições para a observação.
Foto 1 - Crédito NASA.
Foto 2 - Órbita do cometa Halley. Crédito NASA.
Foto 3 - Crédito Kuiper Airborne Observatory.