Além do Céu

Foto do asteroide 253 Mathilde. Crédito: NASA.


O meteorito Santa Luzia, encontrado em Goiás no ano de 1927, ficará exposto no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) até o dia 27 de junho, quando retornará ao Museu Nacional/UFRJ. O objeto, que pesa quase duas toneladas e é composto principalmente por ferro, está sob a guarda do MAST desde janeiro de 2011.

Para entendermos esses deslumbrantes objetos que atingem o nosso planeta com tanta violência, comecemos diferenciando suas possíveis origens. Um meteorito – objeto que veio do espaço e aterrissou na Terra, sem se desintegrar completamente ao atravessar a atmosfera – pode derivar de um asteroide ou de um cometa. A diferença entre esses dois objetos é que o cometa é composto principalmente por gases congelados (com pequenos fragmentos de poeira e rocha) e, ao se aproximar do Sol, tem seu conteúdo sublimado – transformado do estado sólido para o estado gasoso - pela radiação e ganha uma espécie de atmosfera que forma o que chamamos de coma e cauda. Já os asteroides, grupo ao qual o meteorito exposto no MAST pertenceu, são rochosos e metálicos.

Na imagem, o Cinturão de Asteroides e os troianos de Júpiter.

No Sistema Solar, há algumas regiões principais com concentrações maiores de asteroides e objetos similares a cometas. A mais próxima de nós é o grande cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, foi dessa região que o Santa Luzia foi expelido, provavelmente por colisões, e partiu em direção à Terra. O Cinturão de Asteroides tem uma órbita regular ao redor do Sol e contém milhões de objetos rochosos. Mais de 50% de sua massa, porém, está concentrada nos quatro objetos maiores Ceres, Vesta, Palas e Hígia.

Apesar de haver asteroides espalhados por toda a extensão da órbita do Cinturão, calcula-se que a massa total do conjunto seja de aproximadamente 4% da massa da Lua.

A maioria desses objetos é formada principalmente por carbono, parte deles tem o ferro e o níquel como elementos mais presentes e há ainda aqueles compostos por silicatos.

A teoria mais aceita sobre a origem do Cinturão afirma que ele teria surgido nos primórdios do Sistema Solar, logo após a aglutinação de elementos que formou os planetas. A grande influência gravitacional de Júpiter teria perturbado a órbita do material que se encontrava na região do Cinturão, resultando em inúmeras colisões que fragmentaram-no em milhões de pedaços.

Há também concentrações menores conhecidas como asteroides troianos, que podem ser encontrados compartilhando a órbita de alguns planetas em pontos nos quais a sua influência gravitacional permite que eles estejam estáveis. O caso mais notável de asteroides troianos são os de Júpiter: duas grandes concentrações de asteroides denominadas “campo grego” e “campo troiano”. Ambos com centenas de milhares de objetos que dividem a órbita com o imenso planeta.

Outro grande conjunto de objetos desse tipo fica bem distante do Sol, atrás dos grandes planetas do Sistema Solar. É o Cinturão de Kuiper, que engloba a região a partir da órbita de Netuno, a 30 UA – 30 vezes a distância entre o Sol e a Terra –, até 50 UA de nossa estrela central.

O Cinturão de Kuiper abriga objetos maiores que os do cinturão entre Marte e Júpiter, inclusive alguns planetas anões, como Plutão e Éris. A quantidade de objetos é significativamente menor, porém, sendo estimada em aproximadamente 100 mil. Devido à imensa distância do Cinturão à Terra, seus componentes são extremamente difíceis de serem identificados. Ainda assim, já se conseguiu observar mais de mil objetos transneptunianos – como são chamados aqueles que integram o cinturão.

A composição da maioria desses corpos é mais parecida com a de um cometa, com material congelado, do que propriamente com a de um asteroide, apesar de haver corpos rochosos na região.

Bem além do Cinturão de Kuiper, após uma parte remota do Sistema Solar conhecida como Disco Disperso (que também abriga objetos similares aos do cinturão, incluindo o planetoide Sedna), encontra-se a Nuvem de Oort. Essa região fica tão distante (algo em torno de um ano luz do Sol) que a sua parte externa define o limite do Sistema Solar e da influência gravitacional de nossa estrela.

A dificuldade para observar a nuvem é tão grande que sua existência é teorizada apenas por cálculos indiretos, podendo ser a origem de alguns dos cometas conhecidos. A região pode ser o lar de bilhões de objetos transneptunianos, tais quais os do Cinturão de Kuiper – compostos, em sua maioria, por materiais congelados.


O Cinturão de Asteroides, a Cintura de Kuiper, a órbita do planetoide Sedna e a longínqua Nuvem de Oort.