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Como surgiu

Entre os anos de 2004 e 2009, tive o prazer de trabalhar com o Professor Ildeu de Castro Moreira, na época, diretor do Departamento de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia, vinculado à Secretaria para Inclusão Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Prof. Ildeu também era o Coordenador Nacional da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, uma ação de popularização da ciência instituída em 2004 pelo governo federal para estimular a divulgação científica no País. Desde então, todos os anos, durante uma semana no mês de outubro, instituições de ensino e pesquisa das cinco regiões brasileiras participam dessa grande mobilização de divulgação científica.

Inúmeras instituições abrem suas portas ao público para apresentar o trabalho que realizam, além de promoverem mostras nas 'Tendas da Ciência' espalhadas por diversas cidades brasileiras. É um grande evento de popularização da ciência que une instituições, agências, universidades e escolas para discutir a ciência e a tecnologia produzidas no Brasil.

Na primeira edição, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia contava com uma equipe muito pequena. No escritório do Rio de Janeiro, trabalhávamos apenas eu e Rosane Ramos Corrêa, secretária e braço direito do Prof. Ildeu. Eu fazia as artes, o cartaz, o folder, o banner, a assessoria de comunicação, alimentava o site e participava de inúmeras reuniões preparatórias.

O Prof. Ildeu, com seu dom nato de unir pessoas, coordenava o processo nacionalmente. Ele mobilizava, agregava, juntava, incentivava e ia fazendo. É um fazedor! Logo, outras forças se juntaram ao projeto, que foi tomando forma. A Fátima Brito, da Casa da Ciência da UFRJ, José Ribamar, da Fundação Oswaldo Crus, José Renato, da Vídeo Ciência, entre outros inúmeros atores ligados à Instituições de ensino e pesquisa, Órgãos de fomento, Secretarias de C&T, Secretarias de Educação e Escolas. Todos “donos” de um evento que troca e faz crescer. No MCTI, em Brasília, havia um grupo forte também. O José Luiz, a Aparecida Neves, a Lúcia Santos, a Vera Canfran, a Lúcia Muniz e muitos outros profissionais.

Aos poucos, a Ciência foi rompendo muros e saiu caminhando pelas praças públicas, pelos trens, barcos, metrôs. É um momento em que pesquisadores transformam locais públicos em laboratórios, alunos ensinam e aprendem, professores aprendem e ensinam. Dessa forma, todo mundo aprende com todo mundo.

Foi em uma dessas 'Semanas Nacionais' que conheci, em uma tenda que reunia mais de 60 instituições de ensino e pesquisa, montada no Largo da Carioca, no centro do Rio de Janeiro, alguns garotos que deveriam ter entre 10 e 12 anos de idade. Eles andavam com caixas de engraxate nas costas, olhando com olhos de surpresa um mundo disponível de computadores e microscópios, de bolhas e choques, de filmes e maquetes. Eu me aproximei e perguntei se gostariam de olhar através de um microscópio.

Um deles me respondeu:

- "Tia, ciência é coisa de cabeção"!

Tomei um susto e de súbito me perguntei:

- "Será"?

Nessa época, em 2008, eu estava alocada no Escritório Regional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, no Rio de Janeiro. Conhecia os inúmeros institutos de pesquisa vinculados ao MCTI e sabia que em cada um deles havia um grande número de pesquisadores.

Comecei, então, a me perguntar:

- "O que faz uma pessoa escolher ser um pesquisador? Será que ele queria ser cientista desde criança? Como é que ele sabia que existia a Cosmologia? Ou a Energia Nuclear? Ou as Engenharias? Ou a Física? Ou a Química? Será que um desses pesquisadores, quando menino, queria ter sido jogador de futebol? Será que foram crianças ricas? Curiosas? Será que escreviam poesias? Ainda escrevem? Sabem tocar violão? Quem são as pessoas que fazem a ciência do nosso país? Será que algum já foi engraxate?"

Resolvi investigar...

Em 2011 o Escritório do MCTI se mudou do Rio de Janeiro para São Paulo. Eu decidi permanecer na cidade e retornei ao Museu de Astronomia e Ciências Afins - (MAST/MCTI), instituição onde iniciei a minha carreira. Continuo conversando com pessoas. Aprendi a escutar um pouco mais e quero continuar escutando.

Por isso, vou às reuniões anuais da SBPC com uma câmera ligada.

Vamos conversar?

Espero seguir seguindo!

PS: Em conversa com o Dr. Emir Suaiden, ex-diretor do IBICT, ele me contou que quando criança foi engraxate.

Vera Pinheiro

Jornalista
Analista em C&T do Museu de Astronomia e Ciências Afins - MAST/MCTI
Idealizadora do projeto "A Ciência que eu Faço".

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